Oi.Sei que vai parecer estranho esse título para um blog que conta, através de fotos, a memória de um fotógrafo desconhecido. Em condições normais, estaria fotografando; porém, minha nikon está doente. Assim sendo, venho escrever.
E, ao tentar passar pro "papel" um pouco dessas memórias demoníacas, na tentativa de aliviar o caos que se instalou em mim, percebi o quanto a fotografia se tornou importante na minha vida para me fazer voltar pro eixo. Antes eu escrevia - expressava meus sentimentos com textos, prosas e poemas; hoje em dia, fotografo. Simples assim.
Ok, serei um pouco mais claro: toda vez que estou triste, mal por algum motivo, saio para fotografar. Melhora! Não sei como, se é pelo fato de fazer o tempo passar mais depressa, se é por me fazer não pensar no assunto triste; só sei que melhora e me ajuda a ter mais clareza nas minhas percepções e decisões futuras.
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"Somos nossos próprios demônios" foi um frase que saltou aos meus olhos no meio de um momento conturbado da semana passada. De acordo com o livro onde estava essa frase (e, acreditem, não se trata de um livro de auto-ajuda, filosofia e, tampouco, um livro falando sobre deus e etc.), "o sujeito tem a impressão de estar possuído por um demônio que faz com que ele se fira e se expulse do próprio paraíso que ele outrora construira para si".
Ora, todos nós sabemos que não existem "demônios" por aí querendo jogar contra a gente nesse tabuleiro da vida. Na verdade, para as pessoas pouco preparadas, essa frase seria uma ótima "desculpa" para todos os problemas que ocorrem conosco, nos deixando arrasado - assim como seria também um ótimo pretexto para converter novos fiéis a qualquer tipo de fé.
Por isso, acho que as pessoas de fé vivem melhor. Assim, elas poderiam ter fé e rezar para que os seus demônios vão embora, criando um halo de energia boa, positiva, que traz esperança. E, com esperança, fica fácil seguir adiante. Ou seja, fica mais fácil achar a fonte dos problemas ("os demônios quiseram assim...") e também fica relativamente fácil resolver esses problemas ("rezando...") quando se crê em algo "não palpável".
Se eu fosse dedicado a alguma religião, acredito que seria mais fácil passar por essas tormentas da vida justamente por isso: porque a fé me faria seguir adiante.
Mas fiquem tranquilos; pelo menos as esperanças de dias melhores eu sempre tenho - afinal, depois das tempestades há uma tendência à calmaria.
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Bom, no meio desse caos todo, o que faço eu, então?!? Fotografo! Esse "esporte" se tornou minha fé.
E justamente assim que consegui produzir essas imagens aqui embaixo:


Era uma tarde de quarta feira, no início de março deste ano.Tava meio chateado, até mesmo porque ainda estava desempregado e um pouco sem rumo na vida. Um sol forte lá fora e, então, decidi ir à praia, para tentar me animar um pouco. Peguei minhas coisas e, quase saindo de casa, resolvi levar a câmera da minha irmã, uma CyberShot da Sony, de 7.2 megapixels. E fui.
Chegando lá, bateu uma preguiça de fotografar e, ao contrário do que pensei que faria, quase não peguei na máquina.
" - Areia, mão molhada, trabalho...", pensei. Então poupei o trabalho.
Lá pro final da tarde, deitado na areia, eu virei a cabeça e vi a cena. Uma bicicleta com uma blusa pendurada e o Morro Dois Irmãos de fundo.
" - Acho que dá uma boa foto", pensei.
" - Pego, não pego. Pego, não pego. Tá bom, vamos lá".
Peguei e bati apenas 10 fotos, pois não conseguia me entender com a luz incidente. Além disso, descobri naquele momento que a lente da câmera estava toda imunda, sem falar que arranhada também. Ou seja, como nenhuma foto iria ficar linda por causa da limitação e problemas da câmera (fotografar em .JPG, a percepção de cor do sensor não era lá essas coisas, não conseguia controlar a exposição manualmente, etc.), eu desisti.
" - Pelo menos consegui fazer algumas boas composições", me consolei. Se a foto ficar ruim, jogo pro PB e tento salvar a composição. E assim guardei a máquina.
Nessa brincadeira toda, fiz uma das minhas fotos mais bonitas até hoje:
É a mesma foto que coloquei ali em cima, só o tratamento que foi diferente. Ficou com um jeito de foto antiga, e foi a que eu mais gostei.**
Quase um mês depois desse dia da praia, lá estava eu em casa, de novo, meio jururu por algum motivo. De novo. (rs)
Então decidi fazer algo que nunca tinha feito com a nikon: levá-la para passear no bonde de Santa Teresa. Lembro bem deste dia pois era uma sexta feira, a primeira de abril, e estava animado para ir a um jazz que tem no Morro da Tavares Bastos. Mesmo animado com a possibilidade de ir nessa jam session passei o dia meio tristinho, "não sei porque".
Mas enfim, resolvi jogar a tristeza pro alto e fui pra Santa.




Fazer as três primeiras fotos foi um exercício de paciência. De muita paciência!Acho que fiquei uns 10 ou 15 minutos parado, com a máquina em punho, esperando o bonde chegar. Mas acredito que valeu a pena! Até mesmo porque foi divertido, pois teve um turista que parou do meu lado pra olhar aquele parque da estação (primeira foto) e ficou de conversa comigo. Eu olhando pelo viewfinder (na câmera, é onde coloca o olho para mirar a cena) e batendo papo com ele.
Lá em Santa, eu fui para o Parque das Ruínas e fiquei lá, vendo a paisagem e sentindo o vento e seus ruídos interagirem comigo. =)
Depois que a noite caiu eu ainda estava lá e, é claro, que fiz uma foto da casa, que é linda!
Tive que fazer exposição longa para conseguir deixá-la assim: 2 segundos. Para isso, sentei no chão, apoiei os braços em cima dos joelhos, como se fosse um tripé, sustentei a máquina e prendi a respiração: " - Pronto! Foto feita".O que achei mais legal nesta foto foi a semelhança com umas fotos de casas que tem num livro de arquitetura de uma amiga, que peguei emprestado. Influência direta do livro! Ficou muito legal e saí do Parque das Ruínas bem feliz. =)
Até mesmo porque, naquela noite eu fui pro jazz, e muito bem acompanhado!
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Dia 20 de Janeiro de 2010.
Dia do Farmacêutico e dia de São Sebastião. Dia desta cidade linda e maravilhosa, que eu amo tanto, que é o Rio de Janeiro.
Não tinha muito motivo para comemorar o dia do farmacêutico; era feriado, e nesta época passava por uma época meio confusa, meio doida. Até o carnaval, foram dias muito bons e ruins para mim, ao mesmo tempo.
Confesso que não me lembro se estava triste, ou feliz. Talvez estava apenas indiferente e, por isso, fiz tão poucas imagens.
Mas as que fiz ficaram até bonitinhas. Olha só:

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Entre tantas coisas, tantos momentos, não sei mais o que selecionar.Fotos boas, fotos ruins, fotos registros. Cada saída, um significado. Um aprendizado.
As memórias que contei neste post são todas desconexas e diferentes, porém elas têm um ponto em comum: são frutos de momentos em que eu apenas me desliguei do mundo. Essas que coloco aqui perto, são de quando saí do trabalho, troquei de
roupa numa padaria e corri para ipanema querendo pegar o por do sol.Sejam por problemas sentimentais, por questões familiares, ou por qualquer outro motivo que me deixa triste, desligar-se por algumas horas é preciso.
Isso eu aprendi com a vida.
Assim a poeira assenta e sua percepção melhora.
A clareza se instala.
A calmaria chega e, com ela, o sopro de bons tempos.
E é assim que vou fechando este post: com esperança, mais tranquilo e aguardando o bom tempo chegar.
Fotógrafo Desconhecido.






























