quarta-feira, 16 de junho de 2010

Memórias (Desconhecidas) de um Carnaval...

Voltei...
E escolhendo um tema para (re)começar a escrever no blog, fui procurar dentro do meu banco de imagens algumas fotos que já estão prontas.
Quis trazer vários dias para este "banco de memórias" ao mesmo tempo, mas me contive. Então, como hoje estou levemente inclinado para a tristeza, resolvi pegar as memórias do meu carnaval.
De cara já confesso: não sei se foi bom ou ruim fazer isso.
Mas achei que seria legal divulgar algumas imagens bonitas que demostram o grande paradoxo do carnaval: a alegria "sem ter fim" que só dura 3 dias.

Para isso, escolhi o domingo de carnaval. Mais especificamente, o Cordão do Boitatá, um dos blocos mais antigos que eu acompanho (desde 2003) e que sempre foi muito bom. Apesar da multidão que o bloco consegue arrastar, até hoje em dia é muito gostoso curtir o que esta manhã de carnaval consegue proporcionar.


[Na verdade, tinha que ser um bloco muito bom para fazer uma população, acordar às 6 da matina, de um domingo de carnaval, sendo a noite anterior um sábado de muita folia.]

De todos os dias de carnaval, escolhi este porque foi o meu melhor dia de fotografia. Consegui algumas boas imagens, +/- do jeito que eu queria, demonstrando a folia do carnaval carioca.
Para mim também foi um bom dia, pois estava completamente sem expectativas de esbarrar com "alguma" colombina no meio do bloco. Na verdade, expectativas eu até tinha, mas decidi ignorá-las. Apenas esqueci da vida, de meus "problemas" (1. se é que posso chamar de problema; 2. fala sério, vai! Carnaval, no fundo no fundo, ninguém tem problemas), e me concentrei na fotografia.
Inclusive, esta concentração seria muito necessária, pois com tamanha multidão te apertando, espremendo e empurrando, eu teria que zelar pela segurança da minha nikon e suas lentes. Principalmente contra aqueles f#%@¨ da p$#@ que ficam jogando espuma e água nos outros.

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Bom, considero a minha fotografia como algo inconstante. E é muito simples o motivo: ainda estou aprendendo.
Revendo essas fotos que colocarei abaixo, vejo o quanto eu aprendi e desaprendi na fotografia. Tanto no ato de tirar a foto (lá na folia), como no ato de finalizar a mesma (em casa, no pc, sentado numa cadeira ruim).
De qualquer forma, como memórias também se tornam um aprendizado, lá vai:

Essa foto é para vocês verem que vida de músico carnavalesco não é fácil!
Reparem nos detalhes da garrafa e de como as costas de alguém vira uma estante para partituras.

Esse daí é gente boníssima!

Essa foto acima mostra que, às vezes, os flagras não dão certo.

Já este flagra, aqui do lado, funcionou direitinho! =)
E foi engraçado, porque eu passei por ela e vi a cena: uma fotógrafa conferindo os registros, rapidamente. Mirei a câmera e cliquei; " - Droga, a foto saiu escuro!" pensei. Como a câmera estava configurada para área de muito sol, e ela estava na sombra, fiz uns ajustes rapidinho. Então dei uma volta, mirei para ela de novo e cliquei novamente: " - Fezes, escuro de novo!". Mas ainda bem que estava em ISO 100 e deu para segurar um clareamento no LR. =)

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Depois disso, resolvi me enfiar dentro da banda. E lá fui eu, encarar aquela multidão que está retratada na primeira foto, na tentativa de chegar ao meio do bloco. " - Já que aqui estou, vamos que vamos!", pensei. E valeu muito a pena. Consegui um dos meus melhores enquadramentos, que compôs esta bonita foto. Veja:
Mas para chegar nesta foto, passei por uns maus bocados.
Empurra empurra, o bloco andando, e eu ali, lutando bravamente para conseguir esta cena (pois já tinha visualizado a foto e corri atrás dela - com o povo andando).
Até levei uma bronca de graça de um dos organizadores do bloco, que estava tentando fazer a coisa andar (literalmente); digo "de graça" porque eu estava andando junto com o bloco, não atrapalhando o andamento; mas até explicar que nariz de porco não é tomada...
Ao longo deste caminho árduo, fui passando por algumas figuras. Algumas não, por várias figuras. Mesmo não sendo meu objetivo principal, registrei algumas delas só para contar estórias depois.
Se o nosso queridíssimo prefeito Eduardo Paes não continuar chato até lá, acho que só no próximo carnaval é que vai ter gente dependurado ali em cima de novo!
Nessa foto do Chê eu fui muito cara de pau. Um armário do meu lado e eu olhei, mirei e fotografei. E ele só me olhando de rabo de olho...


Mas é sério, tinha tanta gente estranha, muitas fantasias engraçadas, que eleger a melhor foi difícil. Mas, com certeza, a melhor de todas foi um cidadão que encontrei na Rua do Ouvidor, fantasiado de Morgan Freeman!!! Até hoje eu não sei se era fantasia ou se era o Morgan, dando as caras no carnaval carioca.
Vejam só:

Muito bom!!!!
Lembro que estava lá na Rua do Ouvidor, esperando alguém voltar do banheiro, se não me engano, e quando eu olhei para ele, pensei: " - Engraçado, essa cara não me é estranha..."
Aí veio o estalo: " - Morgan Freeman!!!"
Eu nem conseguia fazer a foto, de tanto rir.

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Conforme falei lá em cima, carnaval muitas vezes se torna uma alegria "sem ter fim" que só dura 3 dias. Para mim, a maior dificuldade de fotografar o carnaval foi o fato de tudo acontecer, ao mesmo tempo, e em todos os lugares. Logo, o grau de concentração tem que ser muito alto, e a quantidade de informação que você acaba filtrando e descartando também é alta.

Mas neste carnaval eu saí de casa com dois objetivos: 1) captar o sentimento que existe por trás desse momento mágico que é o carnaval; 2) registrar essa coisa de cada segundo será o infinito, que não haverá o amanhã mas... daqui a 2 dias acaba.

Bom, o resultado foi esse daqui:

Eu gostei da primeira foto, apesar do braço atrapalhando. A expressão dela é muito boa, sendo a 2° foto a continuação do movimento. Já na foto abaixo, o que eu mais gostei foi o sensação de alegria. O sentimento.
O que eu vejo é uma pessoa sendo levada pela música, pela euforia do momento e, é claro, pela brincadeira com a água "espirra espirra".
Praticamente uma criança...

Sério, existe expressão melhor de alegria do que nesta foto acima???
Isso sem falar que o DoF ficou perfeito! =) Tudo o que ela me faz lembrar é: "É hoje o dia, da alegria... E a tristeza, nem pode pensar em chegar!"

Poses, caras, bocas, fugas, corridinhas, porta bandeiras, pulos... era carnaval! Espontaneidade era minha meta de registro.

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Bom, acho que era só esse pouquinho.
Neste dia eu fotografei pouco e não cheguei a 200 fotos. Então ter conseguido uma meia dúzia de 10, 11 fotos foi um número razoavelmente bom, para um primeiro carnaval não muito empenhado.

Embora a foto do trombone seja uma das minhas preferidas, acabei gostando mesmo de outras duas fotos. Lógico, não dá para dizer quais foram as melhores, porque não tive cabeça pra pensar nisso.
Penso que todas foram bons registros e, assim, conseguiram atingir o seu objetivo. Nenhuma foto tinha pretensão de ser vencedora de concurso e todas foram felizes, cada uma com seu grau de impacto. Mas estas duas que seguem abaixo, foram as que mais me deixaram feliz. Veja:
A textura dessa foto e o grau de proximidade com a lente, sem falar na luz que consegui captar, é o que mexe comigo quando olho para ela.
Dá para ouvir a nota que ele extrai do instrumento dele, percebendo sua concentração.
A história desta foto é engraçada: chegamos ao final do bloco, todos debaixo do elevado que passa pela Praça XV, no Rio de Janeiro (a intenção era proteger do sol de meio dia). A muvuca tomou conta, pois nesse momento não existiam mais as cordas que protegiam os músicos e, conseqüentemente, me protegiam. Logo, uma roda dos músicos foi estabelecida e toda a multidão ficou ao redor da mesma - ou seja, todo mundo apertado (veja a foto ao lado). Enquanto decidia se ia embora ou ficava mais um tempo ali, olhei para o meu lado esquerdo e lá estava ele, pronto para ser fotografado.
Assim, de graça.
Como, às vezes, fotógrafo conta com a sorte, eu estava com a minha grande angular pronta na nikon e só tive o trabalho de abrir a lente toda para 18 mm e chegar bem de pertinho dele.

Click! One shot, one picture.

Já na própria câmera eu vi que tinha feito umas das melhores fotos daquele dia, competindo apenas com a foto abaixo.


Lembram quando disse que gostaria de captar o sentimento do carnaval, lá em cima??? Então, esta é a foto.
Dizem que explicar uma foto é igual a ter que explicar uma piada. Bem longe de ser uma piada, eu deixo esta fotografia para vocês apreciarem - pois, quando faço isso, apenas uma palavra me vem à mente: sentimento.
Carnaval é isso, é sentimento. Uma palavra que se repetiu várias vezes aqui neste post. Seja pela música, ou pela folia, ou pela sensação de nunca mais acabar.
Na hora de fazer estas fotos, eu coloquei um pouco disso na minha câmera e o retorno foi esse. Essa é a magia.
E justamente assim que aproveito para ir embora.
Com um pouco da saudade que esses dias tão intensos e cheios de magia nos deixam. Dias onde a tristeza, teoricamente, não tem vez.

Beijos,
 
Fotógrafo Desconhecido.

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