"De tudo ao meu amor serei atentoAntes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
É assim que eu escolho começar a escrever sobre o casamento de hoje, pois certamente muita gente deve gostar, e usar, muito dessa frase, porém sem realmente ter a idéia da sua grandeza.
Primeiros amores são "infinitos enquanto durem"; paixões repentinas são "infinitas enquanto duram" - e, nisso, o próprio Vinicius foi um expert, pois sempre se mantinha num estado apaixonável de ser, com seu coração igualmente volúvel; casamentos deveriam ser "infinitos enquanto durem", até mesmo porque hoje em dia é normal ver casamentos não durarem - então tem mais é que ser infinito enquanto puder, para dar certo no tempo que for necessário.
Não foi de maneira leviana que comecei a escrever esse post com o poema do Vinicius de Moraes. Na verdade, mais que um poema, um soneto; o Soneto da Fidelidade.
O casamento "de hoje" se passou no Itanhangá Golf Clube, que fica no Itanhangá, do lado da Barra da Tijuca. Lembro-me muito bem deste dia, pois foi numa sexta-feira (dia 09 de Outubro de 2009) fria e chuvosa no Rio de Janeiro - e, aqui no Rio, noites frias e chuvosas são raras. Saí do escritório em Botafogo de carona com um gerente lá da empresa e fui direto pro evento.
Chegando lá, a primeira cena que me chamou atenção foi a decoração. Nossa, estava lindo o salão e todo o resto da casa. Acho que nem no casamento da Juliana Paes, que foi no mesmo local, o salão estava tão bonito. Confira as fotos abaixo:








Dentro do salão, perto da pista de dança...
E, por último, o altar...






Não sei se vocês repararam, mas essas fotos ficaram mais para um tom amarelado (no vocabulário fotográfico, quentes...) e quase todas muito escuras. Bom, ficou assim de propósito, pois esse era o cenário da casa. Quanto eu "revelo" as fotos digitais (faço os tratamentos de imagem, regulando luz, contraste, cor, etc.), eu sempre procuro deixar 100% da imagem que eu vi, buscando uma reprodução fiel. E, neste casamento, o que eu vi foi algo mais ou menos assim: meia luz, uma iluminação usando muito as cores quentes e toda a decoração muito bonita.
Bom, falando agora dos noivos. Nossa, muito simpáticos! É até engraçado eu falar isso, porque quando cheguei ao evento, eu achei que o noivo não fosse tão gente boa assim - baseado apenas no que eu via de longe, nas ações dele. Ele ficava lá quietão, paradão, muito pensativo (reparem as duas fotos dele que estão aqui). " - Tudo bem.", pensei. "Deixa ele pra lá então... "
Mas, no final das contas, ele devia estar era mega nervoso. Confesso que cheguei para trabalhar um pouco cansado neste dia, e desacreditado. Achando que apenas seria mais um casamento, mas...
Me surpreendi por completo! Na verdade, depois que aconteceu, eu adorei ter feito este casamento.
Voltando... o noivo é aquele que aparece na foto ali de cima. Conforme eu falei, sujeito paradão, calado, na dele. Acho que ele devia estar um pouco ancioso (ou sem paciência, rs) para começar o casamento, pois muitos casais de padrinhos se atrasaram, tendo um, em específico, que estava vindo de São Paulo. Parece que o vôo deles atrasou, acontecendo vários quiproquós no meio do caminho pro Rio. Sei que os casais começaram a ser perfilados com 1 hora de atraso, ou mais.
Mas enfim, todos ele chegaram! Não foi necessário usar nenhum suplente, rs.
Tudo pronto para começar. Os padrinhos estão perfilados, os pais orientados, o noivo ancioso, a noiva posicionada. Então seguem algumas fotos para vocês conferirem:



Ok. Vamos parar um minutinho para voltar ao início. O que ninguém estava sabendo, inclusive o Alexandre, foi que a Maria Paula preparou uma surpresa para ele. E foi justamente nesse ponto, que o casamento ganhou minha atenção.Ela havia combinado com o Maestro Delfim Moreira de declamar um poema para ele antes de entrar; na verdade, o Soneto da Fidelidade.
Tudo bem, seria um diferencial com relação aos outros casamentos. Mas normalmente não seria o bastante para chamar minha atenção, se não fosse um "detalhe".
Essa parte da declamação foi mais do que ensaiada com a Orquestra. Eu não estava no local, mas pelo o que eu soube, ela ensaiou a entrada umas três vezes durante aquela tarde no clube. O microfone sem fio era entregue para ela no inicio do tapete vermelho, ela iria declamar o soneto e depois entrar pelo altar com a sua música - que eu não me lembro qual era (sorry, my bad...).
Claro, quando uma coisa está com tudo para dar certo, ela fatalmente dará errado. Mas não naquela noite, pois tudo correu conforme planejado - de certa forma...
... até o presente momento acima. A partir daqui, eu não tenho mais fotos para contar essa estória, pois apenas fiquei preso ao momento que corria em frente aos meus olhos. Pra começar, o microfone resolveu falhar quando ela começou a declamar o soneto. Um correria danada para trocar de microfone, o Carlos (aquele que entrega o microfone na foto acima) conseguiu pegar outro microfone e entregar para a Maria Paula que, finalmente, pôde recomeçar o soneto.
Agora deu certo?!?
Claro que não!
O microfone falhou de novo!!! Rs.
Olho para o Delfim e ele tava quase tendo um piri-paque; olho para a Laura Vilela, a cerimonialista da festa, e ela queria matar alguém pra tentar resolver aquela situação. Até mesmo porque, a Laura estava atrás da noiva e o Delfim estava perto do altar, na outra ponta. Eu até estava no meio do caminho, com mobilidade entre os dois extremos, só que depois do 2° microfone falhando, não consegui fazer nada. Só assistir.
No meio daquela correria toda, a Maria Paula, num ato de reflexo (já que os dois microfones resolveram falhar...), começou a gritar a 2° estrofe do soneto para o Alexandre ouvir.
Entre lágrimas escorrendo pelo rosto e uma vontade contida de sair correndo em direção ao amado, a Maria Paula foi declamando, ao esforço da sua própria voz, todo o soneto.
O Alexandre, surpreso, chorava que nem uma criança. Na verdade, frente à emoção daquele momento, todos choravam.
Alguns de raiva outros de emoção (rs...), mas foi inegável que o fato do microfone falhar, deixou aquele momento marcado na história. Aquela entrada realmente fez história, uma história linda para o tempo infinito deles.
E agora eu pergunto: deu certo? É claro que deu certo!
Deu muito certo!
Definitivamente, eu acredito que o casamento deles será "infinito enquanto durar". Porque quando chegou ao último verso do soneto, a Maria Paula gritava com tanta convicção, embalada pelas lágrimas de emoção, que o som da voz dela poderia convencer o mais cético dos céticos no amor que aquele casamento seria infinito.
É engraçado, porque eu vivo me perguntando: "se a Julieta não tivesse morrido, será que o Romeo iria amá-la, daquele jeito que Shakespeare escreveu, para sempre?". "Será que, ao primeiro momento de TPM, o Romeo não iria sair fora daquele barco antes que fosse tarde?" (Rs). Às vezes, quando perguntas como essas sondam a minha cabeça, eu me sinto mais... mais.. sei lá. Mais feio, mais prático, mais realista - como os outros falam por aí.
Pode ser que as vezes eu seja realista, de coração frio, mas naquele dia, naquele momento, eu acreditei no que ela estava falando. Pode ser que não dure para sempre; Ok, as vezes eu também sou ingênuo demais e, sendo realista, pode ser que tudo isso acabe em 2, 3 anos. Ou talvez em 8, 9, 10! Quem sabe?!?
Mas ainda sim, aquele momento se tornou mágico, se tornou infinito de uma tal forma que muitos não saberiam descrever mesmo após uma vida inteira.
O resto do casamento continuou lindo. Descobri, durante a cerimônia, que eles são muito religiosos e que se amam há muito tempo. Parece que foi um relacionamento que cresceu e amadureceu juntos, e que há muito tempo eles queria se casar. Finalmente, naquela noite, eles realizaram o sonho deles.
Realmente espero, e desejo, que seja muito infinito enquanto dure.
Acho que vocês merecem isso.
Bom, eu vou ficando por aqui porque já é tarde e amanhã eu acordo cedo.
Mas antes de ir, é claro, deixo o resto das fotos da cerimônia.











Como vocês podem ver, no final das contas os noivos perdoaram o maestro. Rs.Antes de ir, eu queria chamar atenção para dois momentos.
O primeiro é sobre a saida dos noivos. Em cinco anos trabalhando com eventos, foi a primeira vez que eu vi uma saída onde o tradicional arroz foi substituído por bolhas de sabão.
Sim!, bolhas de sabão. Veja abaixo:

Mesmo com o enquadramento feio, eu tenho que dizer: esta primeira foto foi uma das melhores que eu já fiz nesses últimos casamentos. Nossa, conseguir registrar essa expressão dela, não tem preço. Eu só espero que a "fotógrafa conhecida" tenha feito essa foto, porque a minha só ficou com esse enquadramento feinho assim porque eu estava sendo "empurrado" pelo câmera, pelos fotógrafos e sei lá mais quem estava na minha frente durante essa saída.Mas mesmo assim, ficou muito linda essa saída.
E o segundo momento que eu queria chamar atenção é uma foto que eu fiz com os noivos ainda no altar. Poderia dizer que, para mim, essa foto foi a foto da noite. Consegui entrar na intimidade do olhar deles e captei toda a eternidade que ficou naquele momento.

Homem de sorte esse Alexandre, pois com um olhar desses assim eu enfrentaria qualquer perrengue dessa vida. Que vocês nunca se deixem abalar pelos descrentes dessa vida!!!
Felicidades para vocês!!!!
Bom, é isso. Bjs.





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