domingo, 22 de novembro de 2009

Itanhangá Golf Club, Maria Paula e Alexandre


"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
"Que seja infinito enquanto dure".
É assim que eu escolho começar a escrever sobre o casamento de hoje, pois certamente muita gente deve gostar, e usar, muito dessa frase, porém sem realmente ter a idéia da sua grandeza.
Primeiros amores são "infinitos enquanto durem"; paixões repentinas são "infinitas enquanto duram" - e, nisso, o próprio Vinicius foi um
expert, pois sempre se mantinha num estado apaixonável de ser, com seu coração igualmente volúvel; casamentos deveriam ser "infinitos enquanto durem", até mesmo porque hoje em dia é normal ver casamentos não durarem - então tem mais é que ser infinito enquanto puder, para dar certo no tempo que for necessário.
Não foi de maneira leviana que comecei a escrever esse post com o poema do Vinicius de Moraes. Na verdade, mais que um poema, um soneto; o
Soneto da Fidelidade

O casamento "de hoje" se passou no Itanhangá Golf Clube, que fica no Itanhangá, do lado da Barra da Tijuca. Lembro-me muito bem deste dia, pois foi numa sexta-feira (dia 09 de Outubro de 2009) fria e chuvosa no Rio de Janeiro - e, aqui no Rio, noites frias e chuvosas são raras. Saí do escritório em Botafogo de carona com um gerente lá da empresa e fui direto pro evento.
Chegando lá, a primeira cena que me chamou atenção foi a decoração.
Nossa, estava lindo o salão e todo o resto da casa. Acho que nem no casamento da Juliana Paes, que foi no mesmo local, o salão estava tão bonito. Confira as fotos abaixo:

Dentro do salão, perto da pista de dança...
E, por último, o altar...


Não sei se vocês repararam, mas essas fotos ficaram mais para um tom amarelado (no vocabulário fotográfico, quentes...) e quase todas muito escuras. Bom, ficou assim de propósito, pois esse era o cenário da casa. Quanto eu "revelo" as fotos digitais (faço os tratamentos de imagem, regulando luz, contraste, cor, etc.), eu sempre procuro deixar 100% da imagem que eu vi, buscando uma reprodução fiel. E, neste casamento, o que eu vi foi algo mais ou menos assim: meia luz, uma iluminação usando muito as cores quentes e toda a decoração muito bonita.

Bom, falando agora dos noivos. Nossa, muito simpáticos! É até engraçado eu falar isso, porque quando cheguei ao evento, eu achei que o noivo não fosse tão gente boa assim - baseado apenas no que eu via de longe, nas ações dele. Ele ficava lá quietão, paradão, muito pensativo (reparem as duas fotos dele que estão aqui). " - Tudo bem.", pensei. "Deixa ele pra lá então... "
Mas, no final das contas, ele devia estar era mega nervoso. Confesso que cheguei para trabalhar um pouco cansado neste dia, e desacreditado. Achando que apenas seria
mais um casamento, mas...
Me surpreendi por completo!
Na verdade, depois que aconteceu, eu adorei ter feito este casamento.
Voltando... o noivo é aquele que aparece na foto ali de cima. Conforme eu falei, sujeito paradão, calado, na dele. Acho que ele devia estar um pouco ancioso (ou sem paciência, rs) para começar o casamento, pois muitos casais de padrinhos se atrasaram, tendo um, em específico, que estava vindo de São Paulo. Parece que o vôo deles atrasou, acontecendo vários quiproquós no meio do caminho pro Rio. Sei que os casais começaram a ser perfilados com 1 hora de atraso, ou mais.
Mas enfim, todos ele chegaram! Não foi necessário usar nenhum suplente, rs.
Tudo pronto para começar. Os padrinhos estão perfilados, os pais orientados, o noivo ancioso, a noiva posicionada. Então seguem algumas fotos para vocês conferirem:
Ok. Vamos parar um minutinho para voltar ao início. O que ninguém estava sabendo, inclusive o Alexandre, foi que a Maria Paula preparou uma surpresa para ele. E foi justamente nesse ponto, que o casamento ganhou minha atenção.
Ela havia combinado com o Maestro Delfim Moreira de declamar um poema para ele antes de entrar; na verdade, o Soneto da Fidelidade.
Tudo bem, seria um diferencial com relação aos outros casamentos. Mas normalmente não seria o bastante para chamar minha atenção, se não fosse um "detalhe". 

Essa parte da declamação foi mais do que ensaiada com a Orquestra. Eu não estava no local, mas pelo o que eu soube, ela ensaiou a entrada umas três vezes durante aquela tarde no clube. O microfone sem fio era entregue para ela no inicio do tapete vermelho, ela iria declamar o soneto e depois entrar pelo altar com a sua música - que eu não me lembro qual era (sorry, my bad...).
Claro, quando uma coisa está com tudo para dar certo, ela fatalmente dará errado. Mas não naquela noite, pois tudo correu conforme planejado - de certa forma...
... até o presente momento acima. A partir daqui, eu não tenho mais fotos para contar essa estória, pois apenas fiquei preso ao momento que corria em frente aos meus olhos. Pra começar, o microfone resolveu falhar quando ela começou a declamar o soneto.
Um correria danada para trocar de microfone, o Carlos (aquele que entrega o microfone na foto acima) conseguiu pegar outro microfone e entregar para a Maria Paula que, finalmente, pôde recomeçar o soneto.
Agora deu certo?!?
Claro que não!
O microfone falhou de novo!!! Rs.
Olho para o Delfim e ele tava quase tendo um piri-paque; olho para a Laura Vilela, a cerimonialista da festa, e ela queria matar alguém pra tentar resolver aquela situação. Até mesmo porque, a Laura estava atrás da noiva e o Delfim estava perto do altar, na outra ponta. Eu até estava no meio do caminho, com mobilidade entre os dois extremos, só que depois do 2° microfone falhando, não consegui fazer nada. Só assistir.
No meio daquela correria toda, a Maria Paula, num ato de reflexo (já que os dois microfones resolveram falhar...), começou a gritar a 2° estrofe do soneto para o Alexandre ouvir.
Entre lágrimas escorrendo pelo rosto e uma vontade contida de sair correndo em direção ao amado, a Maria Paula foi declamando, ao esforço da sua própria voz, todo o soneto.
O Alexandre, surpreso, chorava que nem uma criança. Na verdade, frente à emoção daquele momento, todos choravam.
Alguns de raiva outros de emoção (rs...), mas foi inegável que o fato do microfone falhar, deixou aquele momento marcado na história. Aquela entrada realmente fez história, uma história linda para o tempo infinito deles.
E agora eu pergunto: deu certo? É claro que deu certo!
Deu muito certo!

Definitivamente, eu acredito que o casamento deles será "infinito enquanto durar". Porque quando chegou ao último verso do soneto, a Maria Paula gritava com tanta convicção, embalada pelas lágrimas de emoção, que o som da voz dela poderia convencer o mais cético dos céticos no amor que aquele casamento seria infinito.
É engraçado, porque eu vivo me perguntando: "se a Julieta não tivesse morrido, será que o Romeo iria amá-la, daquele jeito que Shakespeare escreveu, para sempre?". "Será que, ao primeiro momento de TPM, o Romeo não iria sair fora daquele barco antes que fosse tarde?" (Rs). Às vezes, quando perguntas como essas sondam a minha cabeça, eu me sinto mais... mais.. sei lá. Mais feio, mais prático, mais realista - como os outros falam por aí.
Pode ser que as vezes eu seja realista, de coração frio, mas naquele dia, naquele momento, eu acreditei no que ela estava falando. Pode ser que não dure para sempre; Ok, as vezes eu também sou ingênuo demais e, sendo realista, pode ser que tudo isso acabe em 2, 3 anos. Ou talvez em 8, 9, 10! Quem sabe?!?
Mas ainda sim, aquele momento se tornou mágico, se tornou infinito de uma tal forma que muitos não saberiam descrever mesmo após uma vida inteira.

O resto do casamento continuou lindo. Descobri, durante a cerimônia, que eles são muito religiosos e que se amam há muito tempo. Parece que foi um relacionamento que cresceu e amadureceu juntos, e que há muito tempo eles queria se casar. Finalmente, naquela noite, eles realizaram o sonho deles.
Realmente espero, e desejo, que seja muito infinito enquanto dure.
Acho que vocês merecem isso.
Bom, eu vou ficando por aqui porque já é tarde e amanhã eu acordo cedo.
Mas antes de ir, é claro, deixo o resto das fotos da cerimônia.
Como vocês podem ver, no final das contas os noivos perdoaram o maestro. Rs.
Antes de ir, eu queria chamar atenção para dois momentos.

O primeiro é sobre a saida dos noivos. Em cinco anos trabalhando com eventos, foi a primeira vez que eu vi uma saída onde o tradicional arroz foi substituído por bolhas de sabão.
Sim!, bolhas de sabão. Veja abaixo:


Mesmo com o enquadramento feio, eu tenho que dizer: esta primeira foto foi uma das melhores que eu já fiz nesses últimos casamentos. Nossa, conseguir registrar essa expressão dela, não tem preço. Eu só espero que a "fotógrafa conhecida" tenha feito essa foto, porque a minha só ficou com esse enquadramento feinho assim porque eu estava sendo "empurrado" pelo câmera, pelos fotógrafos e sei lá mais quem estava na minha frente durante essa saída.
Mas mesmo assim, ficou muito linda essa saída.

E o segundo momento que eu queria chamar atenção é uma foto que eu fiz com os noivos ainda no altar. Poderia dizer que, para mim, essa foto foi a foto da noite. Consegui entrar na intimidade do olhar deles e captei toda a eternidade que ficou naquele momento.

Homem de sorte esse Alexandre, pois com um olhar desses assim eu enfrentaria qualquer perrengue dessa vida. Que vocês nunca se deixem abalar pelos descrentes dessa vida!!!
Felicidades para vocês!!!!

Bom, é isso. Bjs.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Igreja Nossa Senhora da Paz, Camila e Marco Antônio

Pronto, voltei! E agora sim, falando de casamentos.
Voltando para o dia 29 de Agosto de 2009 (eu sei que estou atrasado e não tenho vergonha nenhuma disso... =), os noivos do dia foram Camila e Marco Antônio.
Lembro-me bem deste casamento, pois fazia um sábado de sol e céu azul absurdo - ou seja, um dia belíssimo (olha a foto da noite clara que caiu, ali em cima - céu limpo e estrelado, o sonho de toda noiva... =). Como o casamento ocorreu na Igreja Nossa Senhora da Paz, que fica em Ipanema, praia foi a palavra do dia. Mas não foi porque todos estavam indo à praia e eu trabalhando que este casamento se tornou memorável, e sim porque foi a primeira vez que eu entrei nessa Igreja.
É, eu sei... belo carioca que eu sou. Tá, tudo bem, ninguém é perfeito.
Confesso que fiquei muito empolgado no dia, pois desconhecia por completo a Igreja. E, quando eu vi, a primeira coisa que pensei foi: " - Nossa, é salmão." Rs.
Para falar a verdade, eu acho que foi a Igreja mais colorida que eu já vi até hoje...
Mas é muito bonita! Acho que a cor passa uma sensação boa...
Seguem algumas fotos para vocês conferirem isso:

É engraçado pensar sobre um casamento como o da Camila e do Marco Antônio, pois eu vejo que tudo ocorreu como deveria ser. O dia foi lindo e a noite tava perfeita. "O dia eleito" foi um dia de festa; normalmente, para os sujeitos apaixonados, os dias onde ocorrem o encontro com o ser amado são vividos simplesmente como eles deveriam ser, como uma festa. São dias de festa. É a simplicidade imperando.
Usando as palavras de Lancan, "Festa é tudo aquilo que se espera" e... nossa! Eles com certeza esperaram por esse dia!!! Tanto quanto um ser apaixonado espera pela sua amada e, no final das contas, tudo foi um somatório de prazeres, de certezas.
E basta olhar para as poucas fotos que tenho deles para ter certeza disso. Camila estava nervosa e calma; anciosa; mega feliz. Eu to falando de tudo isso e vocês não devem estar entendendo nada, então explicarei com essas imagens em ordem cronológica invertida:

Olhando para essas fotos agora, eu achei que ficaram um pouco escuras. Mas tudo bem, vamos que vamos...

Para quem diz que noivo não se emociona (ou emociona menos/pouco...), acabei de provar o contrário. Este casal é muito religioso e, senão me engano, "crias" da própria Igreja Nossa Senhora da Paz. Tanto que o Padre Jorjão ficou muito feliz em realizar este casamento, segundo suas próprias palavras ditas a esta pessoa que vos escreve. E, é claro, que eu não pude deixar passar em branco a possibilidade de fazer aquela foto clássica do Padre Jorjão por trás do altar:

Eu gostei muito dessa primeira foto. E esse amarelo da foto, não fui eu que coloquei! A cor, apesar de estar bem quente, está muito próximo da realidade.

Como todo casamento tem cenas engraçadas ou, no mínimo, curiosas, este não poderia ser diferente.
A Igreja Nossa Senhora da Paz é uma Igreja de rua; ou seja, a pessoa tropeçou na calçada, caiu dentro da Igreja. Logo, não há muito espaço perto da porta.
Então, para montar o cortejo, o Roberto Cohen (cerimonial da noite), teve que se adaptar às condições. Olhem a foto primeiro, e depois eu falo:

Ou seja, a noiva ficou escondida atrás da porta, a pouquíssimos metros do cortejo. É engraçado que eles esperaram tanto para se ver, para este dia, que o noivo passou do lado dela sem poder nem dar uma espiadinha. Rs...
E para conseguir espiar, bastava apenas esticar o pescoço. E foi justamente isso que um dos pagens fez ao descobrir, assustado, que a noiva estava... ali. Rs. Confiram:



É engraçada a cara de " - Ih!" que ele faz na primeira foto... rs.
Bom, as demais fotos deste casamento estão no flickr do Fotografo Desconhecido.


(Ex-)Noivos felizes, fotos bonitas, casamento documentado. É isso.
Ao pensar em como fechar esse post, resolvi ler todas essas besteiras que escrevi ali em cima de novo, claro. E fiquei refletindo sobre o que falei da "Festa", "Dias eleitos", "encontros amorosos", etc.
É engraçado pensar que "a partir de agora" (isso há 2 meses atrás, né?!?...) eles se encontrarão todos os dias...
E pode ser que ocorram "festas" todos os dias....
Mas o melhor de tudo não é contar essa história na 3° pessoa, falando de um casal com um final feliz, e sim refletir para a 1° pessoa: "Será que não significa nada para mim ser a festa de alguém? "
E, para você que está lendo, será que não significa nada para você ser a festa de alguém?

=)