segunda-feira, 21 de junho de 2010

Demônios

Oi.
Sei que vai parecer estranho esse título para um blog que conta, através de fotos, a memória de um fotógrafo desconhecido. Em condições normais, estaria fotografando; porém, minha nikon está doente. Assim sendo, venho escrever.
E, ao tentar passar pro "papel" um pouco dessas memórias demoníacas, na tentativa de aliviar o caos que se instalou em mim, percebi o quanto a fotografia se tornou importante na minha vida para me fazer voltar pro eixo. Antes eu escrevia - expressava meus sentimentos com textos, prosas e poemas; hoje em dia, fotografo. Simples assim.
Ok, serei um pouco mais claro: toda vez que estou triste, mal por algum motivo, saio para fotografar. Melhora! Não sei como, se é pelo fato de fazer o tempo passar mais depressa, se é por me fazer não pensar no assunto triste; só sei que melhora e me ajuda a ter mais clareza nas minhas percepções e decisões futuras.

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"Somos nossos próprios demônios" foi um frase que saltou aos meus olhos no meio de um momento conturbado da semana passada. De acordo com o livro onde estava essa frase (e, acreditem, não se trata de um livro de auto-ajuda, filosofia e, tampouco, um livro falando sobre deus e etc.), "o sujeito tem a impressão de estar possuído por um demônio que faz com que ele se fira e se expulse do próprio paraíso que ele outrora construira para si".
Ora, todos nós sabemos que não existem "demônios" por aí querendo jogar contra a gente nesse tabuleiro da vida. Na verdade, para as pessoas pouco preparadas, essa frase seria uma ótima "desculpa" para todos os problemas que ocorrem conosco, nos deixando arrasado - assim como seria também um ótimo pretexto para converter novos fiéis a qualquer tipo de fé.
Por isso, acho que as pessoas de fé vivem melhor. Assim, elas poderiam ter fé e rezar para que os seus demônios vão embora, criando um halo de energia boa, positiva, que traz esperança. E, com esperança, fica fácil seguir adiante. Ou seja, fica mais fácil achar a fonte dos problemas ("os demônios quiseram assim...") e também fica relativamente fácil resolver esses problemas ("rezando...") quando se crê em algo "não palpável".
Se eu fosse dedicado a alguma religião, acredito que seria mais fácil passar por essas tormentas da vida justamente por isso: porque a fé me faria seguir adiante.
Mas fiquem tranquilos; pelo menos as esperanças de dias melhores eu sempre tenho - afinal, depois das tempestades há uma tendência à calmaria.

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Bom, no meio desse caos todo, o que faço eu, então?!? Fotografo! Esse "esporte" se tornou minha fé.
E justamente assim que consegui produzir essas imagens aqui embaixo:
Era uma tarde de quarta feira, no início de março deste ano.
Tava meio chateado, até mesmo porque ainda estava desempregado e um pouco sem rumo na vida. Um sol forte lá fora e, então, decidi ir à praia, para tentar me animar um pouco. Peguei minhas coisas e, quase saindo de casa, resolvi levar a câmera da minha irmã, uma CyberShot da Sony, de 7.2 megapixels. E fui.
Chegando lá, bateu uma preguiça de fotografar e, ao contrário do que pensei que faria, quase não peguei na máquina.
" - Areia, mão molhada, trabalho...", pensei. Então poupei o trabalho.
Lá pro final da tarde, deitado na areia, eu virei a cabeça e vi a cena. Uma bicicleta com uma blusa pendurada e o Morro Dois Irmãos de fundo.
" - Acho que dá uma boa foto", pensei.
" - Pego, não pego. Pego, não pego. Tá bom, vamos lá".
Peguei e bati apenas 10 fotos, pois não conseguia me entender com a luz incidente. Além disso, descobri naquele momento que a lente da câmera estava toda imunda, sem falar que arranhada também. Ou seja, como nenhuma foto iria ficar linda por causa da limitação e problemas da câmera (fotografar em .JPG, a percepção de cor do sensor não era lá essas coisas, não conseguia controlar a exposição manualmente, etc.), eu desisti.
" - Pelo menos consegui fazer algumas boas composições", me consolei. Se a foto ficar ruim, jogo pro PB e tento salvar a composição. E assim guardei a máquina.
Nessa brincadeira toda, fiz uma das minhas fotos mais bonitas até hoje:
É a mesma foto que coloquei ali em cima, só o tratamento que foi diferente. Ficou com um jeito de foto antiga, e foi a que eu mais gostei.

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Quase um mês depois desse dia da praia, lá estava eu em casa, de novo, meio jururu por algum motivo. De novo. (rs)
Então decidi fazer algo que nunca tinha feito com a nikon: levá-la para passear no bonde de Santa Teresa. Lembro bem deste dia pois era uma sexta feira, a primeira de abril, e estava animado para ir a um jazz que tem no Morro da Tavares Bastos. Mesmo animado com a possibilidade de ir nessa jam session passei o dia meio tristinho, "não sei porque".
Mas enfim, resolvi jogar a tristeza pro alto e fui pra Santa.
Fazer as três primeiras fotos foi um exercício de paciência. De muita paciência!
Acho que fiquei uns 10 ou 15 minutos parado, com a máquina em punho, esperando o bonde chegar. Mas acredito que valeu a pena! Até mesmo porque foi divertido, pois teve um turista que parou do meu lado pra olhar aquele parque da estação (primeira foto) e ficou de conversa comigo. Eu olhando pelo viewfinder (na câmera, é onde coloca o olho para mirar a cena) e batendo papo com ele.
Lá em Santa, eu fui para o Parque das Ruínas e fiquei lá, vendo a paisagem e sentindo o vento e seus ruídos interagirem comigo. =)
Depois que a noite caiu eu ainda estava lá e, é claro, que fiz uma foto da casa, que é linda!
Tive que fazer exposição longa para conseguir deixá-la assim: 2 segundos. Para isso, sentei no chão, apoiei os braços em cima dos joelhos, como se fosse um tripé, sustentei a máquina e prendi a respiração: " - Pronto! Foto feita".
O que achei mais legal nesta foto foi a semelhança com umas fotos de casas que tem num livro de arquitetura de uma amiga, que peguei emprestado. Influência direta do livro! Ficou muito legal e saí do Parque das Ruínas bem feliz. =)
Até mesmo porque, naquela noite eu fui pro jazz, e muito bem acompanhado!

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Dia 20 de Janeiro de 2010.
Dia do Farmacêutico e dia de São Sebastião. Dia desta cidade linda e maravilhosa, que eu amo tanto, que é o Rio de Janeiro.
Não tinha muito motivo para comemorar o dia do farmacêutico; era feriado, e nesta época passava por uma época meio confusa, meio doida. Até o carnaval, foram dias muito bons e ruins para mim, ao mesmo tempo.
Confesso que não me lembro se estava triste, ou feliz. Talvez estava apenas indiferente e, por isso, fiz tão poucas imagens.
Mas as que fiz ficaram até bonitinhas. Olha só:

Sério, minha filha vai ser assim: ovinhos e tamborins para brincar na infância!


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Entre tantas coisas, tantos momentos, não sei mais o que selecionar.
Fotos boas, fotos ruins, fotos registros. Cada saída, um significado. Um aprendizado.
As memórias que contei neste post são todas desconexas e diferentes, porém elas têm um ponto em comum: são frutos de momentos em que eu apenas me desliguei do mundo. Essas que coloco aqui perto, são de quando saí do trabalho, troquei de
roupa numa padaria e corri para ipanema querendo pegar o por do sol.
Sejam por problemas sentimentais, por questões familiares, ou por qualquer outro motivo que me deixa triste, desligar-se por algumas horas é preciso.
Isso eu aprendi com a vida.
Assim a poeira assenta e sua percepção melhora.
A clareza se instala.
A calmaria chega e, com ela, o sopro de bons tempos.

E é assim que vou fechando este post: com esperança, mais tranquilo e aguardando o bom tempo chegar.
 

Fotógrafo Desconhecido.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Memórias (Desconhecidas) de um Carnaval...

Voltei...
E escolhendo um tema para (re)começar a escrever no blog, fui procurar dentro do meu banco de imagens algumas fotos que já estão prontas.
Quis trazer vários dias para este "banco de memórias" ao mesmo tempo, mas me contive. Então, como hoje estou levemente inclinado para a tristeza, resolvi pegar as memórias do meu carnaval.
De cara já confesso: não sei se foi bom ou ruim fazer isso.
Mas achei que seria legal divulgar algumas imagens bonitas que demostram o grande paradoxo do carnaval: a alegria "sem ter fim" que só dura 3 dias.

Para isso, escolhi o domingo de carnaval. Mais especificamente, o Cordão do Boitatá, um dos blocos mais antigos que eu acompanho (desde 2003) e que sempre foi muito bom. Apesar da multidão que o bloco consegue arrastar, até hoje em dia é muito gostoso curtir o que esta manhã de carnaval consegue proporcionar.


[Na verdade, tinha que ser um bloco muito bom para fazer uma população, acordar às 6 da matina, de um domingo de carnaval, sendo a noite anterior um sábado de muita folia.]

De todos os dias de carnaval, escolhi este porque foi o meu melhor dia de fotografia. Consegui algumas boas imagens, +/- do jeito que eu queria, demonstrando a folia do carnaval carioca.
Para mim também foi um bom dia, pois estava completamente sem expectativas de esbarrar com "alguma" colombina no meio do bloco. Na verdade, expectativas eu até tinha, mas decidi ignorá-las. Apenas esqueci da vida, de meus "problemas" (1. se é que posso chamar de problema; 2. fala sério, vai! Carnaval, no fundo no fundo, ninguém tem problemas), e me concentrei na fotografia.
Inclusive, esta concentração seria muito necessária, pois com tamanha multidão te apertando, espremendo e empurrando, eu teria que zelar pela segurança da minha nikon e suas lentes. Principalmente contra aqueles f#%@¨ da p$#@ que ficam jogando espuma e água nos outros.

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Bom, considero a minha fotografia como algo inconstante. E é muito simples o motivo: ainda estou aprendendo.
Revendo essas fotos que colocarei abaixo, vejo o quanto eu aprendi e desaprendi na fotografia. Tanto no ato de tirar a foto (lá na folia), como no ato de finalizar a mesma (em casa, no pc, sentado numa cadeira ruim).
De qualquer forma, como memórias também se tornam um aprendizado, lá vai:

Essa foto é para vocês verem que vida de músico carnavalesco não é fácil!
Reparem nos detalhes da garrafa e de como as costas de alguém vira uma estante para partituras.

Esse daí é gente boníssima!

Essa foto acima mostra que, às vezes, os flagras não dão certo.

Já este flagra, aqui do lado, funcionou direitinho! =)
E foi engraçado, porque eu passei por ela e vi a cena: uma fotógrafa conferindo os registros, rapidamente. Mirei a câmera e cliquei; " - Droga, a foto saiu escuro!" pensei. Como a câmera estava configurada para área de muito sol, e ela estava na sombra, fiz uns ajustes rapidinho. Então dei uma volta, mirei para ela de novo e cliquei novamente: " - Fezes, escuro de novo!". Mas ainda bem que estava em ISO 100 e deu para segurar um clareamento no LR. =)

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Depois disso, resolvi me enfiar dentro da banda. E lá fui eu, encarar aquela multidão que está retratada na primeira foto, na tentativa de chegar ao meio do bloco. " - Já que aqui estou, vamos que vamos!", pensei. E valeu muito a pena. Consegui um dos meus melhores enquadramentos, que compôs esta bonita foto. Veja:
Mas para chegar nesta foto, passei por uns maus bocados.
Empurra empurra, o bloco andando, e eu ali, lutando bravamente para conseguir esta cena (pois já tinha visualizado a foto e corri atrás dela - com o povo andando).
Até levei uma bronca de graça de um dos organizadores do bloco, que estava tentando fazer a coisa andar (literalmente); digo "de graça" porque eu estava andando junto com o bloco, não atrapalhando o andamento; mas até explicar que nariz de porco não é tomada...
Ao longo deste caminho árduo, fui passando por algumas figuras. Algumas não, por várias figuras. Mesmo não sendo meu objetivo principal, registrei algumas delas só para contar estórias depois.
Se o nosso queridíssimo prefeito Eduardo Paes não continuar chato até lá, acho que só no próximo carnaval é que vai ter gente dependurado ali em cima de novo!
Nessa foto do Chê eu fui muito cara de pau. Um armário do meu lado e eu olhei, mirei e fotografei. E ele só me olhando de rabo de olho...


Mas é sério, tinha tanta gente estranha, muitas fantasias engraçadas, que eleger a melhor foi difícil. Mas, com certeza, a melhor de todas foi um cidadão que encontrei na Rua do Ouvidor, fantasiado de Morgan Freeman!!! Até hoje eu não sei se era fantasia ou se era o Morgan, dando as caras no carnaval carioca.
Vejam só:

Muito bom!!!!
Lembro que estava lá na Rua do Ouvidor, esperando alguém voltar do banheiro, se não me engano, e quando eu olhei para ele, pensei: " - Engraçado, essa cara não me é estranha..."
Aí veio o estalo: " - Morgan Freeman!!!"
Eu nem conseguia fazer a foto, de tanto rir.

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Conforme falei lá em cima, carnaval muitas vezes se torna uma alegria "sem ter fim" que só dura 3 dias. Para mim, a maior dificuldade de fotografar o carnaval foi o fato de tudo acontecer, ao mesmo tempo, e em todos os lugares. Logo, o grau de concentração tem que ser muito alto, e a quantidade de informação que você acaba filtrando e descartando também é alta.

Mas neste carnaval eu saí de casa com dois objetivos: 1) captar o sentimento que existe por trás desse momento mágico que é o carnaval; 2) registrar essa coisa de cada segundo será o infinito, que não haverá o amanhã mas... daqui a 2 dias acaba.

Bom, o resultado foi esse daqui:

Eu gostei da primeira foto, apesar do braço atrapalhando. A expressão dela é muito boa, sendo a 2° foto a continuação do movimento. Já na foto abaixo, o que eu mais gostei foi o sensação de alegria. O sentimento.
O que eu vejo é uma pessoa sendo levada pela música, pela euforia do momento e, é claro, pela brincadeira com a água "espirra espirra".
Praticamente uma criança...

Sério, existe expressão melhor de alegria do que nesta foto acima???
Isso sem falar que o DoF ficou perfeito! =) Tudo o que ela me faz lembrar é: "É hoje o dia, da alegria... E a tristeza, nem pode pensar em chegar!"

Poses, caras, bocas, fugas, corridinhas, porta bandeiras, pulos... era carnaval! Espontaneidade era minha meta de registro.

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Bom, acho que era só esse pouquinho.
Neste dia eu fotografei pouco e não cheguei a 200 fotos. Então ter conseguido uma meia dúzia de 10, 11 fotos foi um número razoavelmente bom, para um primeiro carnaval não muito empenhado.

Embora a foto do trombone seja uma das minhas preferidas, acabei gostando mesmo de outras duas fotos. Lógico, não dá para dizer quais foram as melhores, porque não tive cabeça pra pensar nisso.
Penso que todas foram bons registros e, assim, conseguiram atingir o seu objetivo. Nenhuma foto tinha pretensão de ser vencedora de concurso e todas foram felizes, cada uma com seu grau de impacto. Mas estas duas que seguem abaixo, foram as que mais me deixaram feliz. Veja:
A textura dessa foto e o grau de proximidade com a lente, sem falar na luz que consegui captar, é o que mexe comigo quando olho para ela.
Dá para ouvir a nota que ele extrai do instrumento dele, percebendo sua concentração.
A história desta foto é engraçada: chegamos ao final do bloco, todos debaixo do elevado que passa pela Praça XV, no Rio de Janeiro (a intenção era proteger do sol de meio dia). A muvuca tomou conta, pois nesse momento não existiam mais as cordas que protegiam os músicos e, conseqüentemente, me protegiam. Logo, uma roda dos músicos foi estabelecida e toda a multidão ficou ao redor da mesma - ou seja, todo mundo apertado (veja a foto ao lado). Enquanto decidia se ia embora ou ficava mais um tempo ali, olhei para o meu lado esquerdo e lá estava ele, pronto para ser fotografado.
Assim, de graça.
Como, às vezes, fotógrafo conta com a sorte, eu estava com a minha grande angular pronta na nikon e só tive o trabalho de abrir a lente toda para 18 mm e chegar bem de pertinho dele.

Click! One shot, one picture.

Já na própria câmera eu vi que tinha feito umas das melhores fotos daquele dia, competindo apenas com a foto abaixo.


Lembram quando disse que gostaria de captar o sentimento do carnaval, lá em cima??? Então, esta é a foto.
Dizem que explicar uma foto é igual a ter que explicar uma piada. Bem longe de ser uma piada, eu deixo esta fotografia para vocês apreciarem - pois, quando faço isso, apenas uma palavra me vem à mente: sentimento.
Carnaval é isso, é sentimento. Uma palavra que se repetiu várias vezes aqui neste post. Seja pela música, ou pela folia, ou pela sensação de nunca mais acabar.
Na hora de fazer estas fotos, eu coloquei um pouco disso na minha câmera e o retorno foi esse. Essa é a magia.
E justamente assim que aproveito para ir embora.
Com um pouco da saudade que esses dias tão intensos e cheios de magia nos deixam. Dias onde a tristeza, teoricamente, não tem vez.

Beijos,
 
Fotógrafo Desconhecido.

domingo, 22 de novembro de 2009

Itanhangá Golf Club, Maria Paula e Alexandre


"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
"Que seja infinito enquanto dure".
É assim que eu escolho começar a escrever sobre o casamento de hoje, pois certamente muita gente deve gostar, e usar, muito dessa frase, porém sem realmente ter a idéia da sua grandeza.
Primeiros amores são "infinitos enquanto durem"; paixões repentinas são "infinitas enquanto duram" - e, nisso, o próprio Vinicius foi um
expert, pois sempre se mantinha num estado apaixonável de ser, com seu coração igualmente volúvel; casamentos deveriam ser "infinitos enquanto durem", até mesmo porque hoje em dia é normal ver casamentos não durarem - então tem mais é que ser infinito enquanto puder, para dar certo no tempo que for necessário.
Não foi de maneira leviana que comecei a escrever esse post com o poema do Vinicius de Moraes. Na verdade, mais que um poema, um soneto; o
Soneto da Fidelidade

O casamento "de hoje" se passou no Itanhangá Golf Clube, que fica no Itanhangá, do lado da Barra da Tijuca. Lembro-me muito bem deste dia, pois foi numa sexta-feira (dia 09 de Outubro de 2009) fria e chuvosa no Rio de Janeiro - e, aqui no Rio, noites frias e chuvosas são raras. Saí do escritório em Botafogo de carona com um gerente lá da empresa e fui direto pro evento.
Chegando lá, a primeira cena que me chamou atenção foi a decoração.
Nossa, estava lindo o salão e todo o resto da casa. Acho que nem no casamento da Juliana Paes, que foi no mesmo local, o salão estava tão bonito. Confira as fotos abaixo:

Dentro do salão, perto da pista de dança...
E, por último, o altar...


Não sei se vocês repararam, mas essas fotos ficaram mais para um tom amarelado (no vocabulário fotográfico, quentes...) e quase todas muito escuras. Bom, ficou assim de propósito, pois esse era o cenário da casa. Quanto eu "revelo" as fotos digitais (faço os tratamentos de imagem, regulando luz, contraste, cor, etc.), eu sempre procuro deixar 100% da imagem que eu vi, buscando uma reprodução fiel. E, neste casamento, o que eu vi foi algo mais ou menos assim: meia luz, uma iluminação usando muito as cores quentes e toda a decoração muito bonita.

Bom, falando agora dos noivos. Nossa, muito simpáticos! É até engraçado eu falar isso, porque quando cheguei ao evento, eu achei que o noivo não fosse tão gente boa assim - baseado apenas no que eu via de longe, nas ações dele. Ele ficava lá quietão, paradão, muito pensativo (reparem as duas fotos dele que estão aqui). " - Tudo bem.", pensei. "Deixa ele pra lá então... "
Mas, no final das contas, ele devia estar era mega nervoso. Confesso que cheguei para trabalhar um pouco cansado neste dia, e desacreditado. Achando que apenas seria
mais um casamento, mas...
Me surpreendi por completo!
Na verdade, depois que aconteceu, eu adorei ter feito este casamento.
Voltando... o noivo é aquele que aparece na foto ali de cima. Conforme eu falei, sujeito paradão, calado, na dele. Acho que ele devia estar um pouco ancioso (ou sem paciência, rs) para começar o casamento, pois muitos casais de padrinhos se atrasaram, tendo um, em específico, que estava vindo de São Paulo. Parece que o vôo deles atrasou, acontecendo vários quiproquós no meio do caminho pro Rio. Sei que os casais começaram a ser perfilados com 1 hora de atraso, ou mais.
Mas enfim, todos ele chegaram! Não foi necessário usar nenhum suplente, rs.
Tudo pronto para começar. Os padrinhos estão perfilados, os pais orientados, o noivo ancioso, a noiva posicionada. Então seguem algumas fotos para vocês conferirem:
Ok. Vamos parar um minutinho para voltar ao início. O que ninguém estava sabendo, inclusive o Alexandre, foi que a Maria Paula preparou uma surpresa para ele. E foi justamente nesse ponto, que o casamento ganhou minha atenção.
Ela havia combinado com o Maestro Delfim Moreira de declamar um poema para ele antes de entrar; na verdade, o Soneto da Fidelidade.
Tudo bem, seria um diferencial com relação aos outros casamentos. Mas normalmente não seria o bastante para chamar minha atenção, se não fosse um "detalhe". 

Essa parte da declamação foi mais do que ensaiada com a Orquestra. Eu não estava no local, mas pelo o que eu soube, ela ensaiou a entrada umas três vezes durante aquela tarde no clube. O microfone sem fio era entregue para ela no inicio do tapete vermelho, ela iria declamar o soneto e depois entrar pelo altar com a sua música - que eu não me lembro qual era (sorry, my bad...).
Claro, quando uma coisa está com tudo para dar certo, ela fatalmente dará errado. Mas não naquela noite, pois tudo correu conforme planejado - de certa forma...
... até o presente momento acima. A partir daqui, eu não tenho mais fotos para contar essa estória, pois apenas fiquei preso ao momento que corria em frente aos meus olhos. Pra começar, o microfone resolveu falhar quando ela começou a declamar o soneto.
Um correria danada para trocar de microfone, o Carlos (aquele que entrega o microfone na foto acima) conseguiu pegar outro microfone e entregar para a Maria Paula que, finalmente, pôde recomeçar o soneto.
Agora deu certo?!?
Claro que não!
O microfone falhou de novo!!! Rs.
Olho para o Delfim e ele tava quase tendo um piri-paque; olho para a Laura Vilela, a cerimonialista da festa, e ela queria matar alguém pra tentar resolver aquela situação. Até mesmo porque, a Laura estava atrás da noiva e o Delfim estava perto do altar, na outra ponta. Eu até estava no meio do caminho, com mobilidade entre os dois extremos, só que depois do 2° microfone falhando, não consegui fazer nada. Só assistir.
No meio daquela correria toda, a Maria Paula, num ato de reflexo (já que os dois microfones resolveram falhar...), começou a gritar a 2° estrofe do soneto para o Alexandre ouvir.
Entre lágrimas escorrendo pelo rosto e uma vontade contida de sair correndo em direção ao amado, a Maria Paula foi declamando, ao esforço da sua própria voz, todo o soneto.
O Alexandre, surpreso, chorava que nem uma criança. Na verdade, frente à emoção daquele momento, todos choravam.
Alguns de raiva outros de emoção (rs...), mas foi inegável que o fato do microfone falhar, deixou aquele momento marcado na história. Aquela entrada realmente fez história, uma história linda para o tempo infinito deles.
E agora eu pergunto: deu certo? É claro que deu certo!
Deu muito certo!

Definitivamente, eu acredito que o casamento deles será "infinito enquanto durar". Porque quando chegou ao último verso do soneto, a Maria Paula gritava com tanta convicção, embalada pelas lágrimas de emoção, que o som da voz dela poderia convencer o mais cético dos céticos no amor que aquele casamento seria infinito.
É engraçado, porque eu vivo me perguntando: "se a Julieta não tivesse morrido, será que o Romeo iria amá-la, daquele jeito que Shakespeare escreveu, para sempre?". "Será que, ao primeiro momento de TPM, o Romeo não iria sair fora daquele barco antes que fosse tarde?" (Rs). Às vezes, quando perguntas como essas sondam a minha cabeça, eu me sinto mais... mais.. sei lá. Mais feio, mais prático, mais realista - como os outros falam por aí.
Pode ser que as vezes eu seja realista, de coração frio, mas naquele dia, naquele momento, eu acreditei no que ela estava falando. Pode ser que não dure para sempre; Ok, as vezes eu também sou ingênuo demais e, sendo realista, pode ser que tudo isso acabe em 2, 3 anos. Ou talvez em 8, 9, 10! Quem sabe?!?
Mas ainda sim, aquele momento se tornou mágico, se tornou infinito de uma tal forma que muitos não saberiam descrever mesmo após uma vida inteira.

O resto do casamento continuou lindo. Descobri, durante a cerimônia, que eles são muito religiosos e que se amam há muito tempo. Parece que foi um relacionamento que cresceu e amadureceu juntos, e que há muito tempo eles queria se casar. Finalmente, naquela noite, eles realizaram o sonho deles.
Realmente espero, e desejo, que seja muito infinito enquanto dure.
Acho que vocês merecem isso.
Bom, eu vou ficando por aqui porque já é tarde e amanhã eu acordo cedo.
Mas antes de ir, é claro, deixo o resto das fotos da cerimônia.
Como vocês podem ver, no final das contas os noivos perdoaram o maestro. Rs.
Antes de ir, eu queria chamar atenção para dois momentos.

O primeiro é sobre a saida dos noivos. Em cinco anos trabalhando com eventos, foi a primeira vez que eu vi uma saída onde o tradicional arroz foi substituído por bolhas de sabão.
Sim!, bolhas de sabão. Veja abaixo:


Mesmo com o enquadramento feio, eu tenho que dizer: esta primeira foto foi uma das melhores que eu já fiz nesses últimos casamentos. Nossa, conseguir registrar essa expressão dela, não tem preço. Eu só espero que a "fotógrafa conhecida" tenha feito essa foto, porque a minha só ficou com esse enquadramento feinho assim porque eu estava sendo "empurrado" pelo câmera, pelos fotógrafos e sei lá mais quem estava na minha frente durante essa saída.
Mas mesmo assim, ficou muito linda essa saída.

E o segundo momento que eu queria chamar atenção é uma foto que eu fiz com os noivos ainda no altar. Poderia dizer que, para mim, essa foto foi a foto da noite. Consegui entrar na intimidade do olhar deles e captei toda a eternidade que ficou naquele momento.

Homem de sorte esse Alexandre, pois com um olhar desses assim eu enfrentaria qualquer perrengue dessa vida. Que vocês nunca se deixem abalar pelos descrentes dessa vida!!!
Felicidades para vocês!!!!

Bom, é isso. Bjs.